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Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

22.Mai.07

CALOR QUE MATA!

O Verão é, certamente, a altura mais esperada do ano. Não só porque é sinónimo de férias, mas particularmente porque é sinónimo de bom tempo, sol, praia, calor… No entanto, nos últimos anos este calor tem-se tornado, não apenas desagradável, como também fatal.

No cronograma oficial, Portugal está a partir de hoje preparado para o calor, estando os meios de prevenção reforçados, tanto na atenção aos grupos de risco mais afectados pelas ondas de calor, como na vigilância aos fogos florestais.

Na área da saúde foi elaborado, pelo quarto ano consecutivo, mais um plano de contingência para as ondas de calor. Apesar de todos os planos e toda a preparação, o que os dados estatísticos nos dizem é que, efectivamente, o calor mata! Em Portugal, no ano de 2005, uma onda de calor que ocorreu em Junho, matou cerca de 462 pessoas. No ano passado, duas vagas de calor, provocaram 1259 mortes.

A Direcção Geral de Saúde assume que as ondas de calor poderão fazer-se sentir novamente este ano e com maior impacto. Como o Inverno foi brando, muitas pessoas debilitadas que escaparam às complicações do frio poderão ser vítimas de um eventual Verão tórrido.

É importante que a informação chegue sobretudo aos meios mais próximos dos grupos de risco: crianças e idosos, os mais frágeis relativamente às variações bruscas de temperatura. A DGS não só tem feito chegar a informação a inúmeras instituições associadas, como a própria União das Misericórdias Portugueses se comprometeu a ajudar na divulgação dos riscos do calor e das medidas preventivas a tomar.

Na realidade, as previsões britânicas sugerem que 2007 terá o Verão mais quente dos últimos anos. Esta tendência tem-se relevado cada vez mais preponderante nos últimos anos, já que dos 12 anos mais quentes registados desde há cerca de 150 anos, 11 estão entre 1995 e 2006, o que prova que as alterações climatéricas não se resumem a um mito. São reais e têm efeitos graves na população.

O que é certo é que, em Portugal, 2007 já vai quente. Os quatro primeiros meses do ano tiveram todos temperaturas médias acima dos valores considerados normais. Em Abril verificou-se a primeira vaga de calor. As próximas estarão para chegar.

A novidade deste ano serão as fichas de acção que a DGS está a ultimar, das quais três já foram concluídas, destinando-se uma aos profissionais de saúde, outra para prestadores de cuidados a idosos e uma terceira para quem trabalha com crianças.

É importantíssimo o acompanhamento destes grupos de risco: as crianças desidratam facilmente e são particularmente frágeis porque os seus mecanismos de regulação da temperatura corporal são ainda imaturos; nos idosos há um pior funcionamento destes, o que os deixa mais susceptíveis; também os doentes acamados, os obesos, indivíduos com problemas renais, doenças cardiovasculares crónicas e comportamentos de risco como o consumo excessivo de álcool ou exposição prolongada ao sol merecem especial atenção.

Mas quais são os efeitos deste calor excessivo no organismo humano? Cãibras musculares, pela perda de água e sais minerais; exaustão pelo calor, relacionada com uma mais rápida desidratação, que pode ainda causar náuseas, vómitos, dores de cabeça, tonturas; e golpe de calor, que corresponde já a uma emergência médica e que está relacionado com a incapacidade do organismo de regular a temperatura e consequente aumento excessivo da temperatura corporal interna, o que pode provocar lesões internas graves.

Também a Protecção Civil tem um papel relevante nestas situações, com a divulgação das medidas preventivas para evitar estes efeitos do calor excessivo. Entre as precauções recomendadas encontram-se as seguintes:

- Ingerir água ou outros líquidos não açucarados com regularidade, mesmo que não se sinta sede. Pessoas que sofram de epilepsia, doenças cardíacas, renais ou de fígado ou que tenham problemas de retenção de líquidos devem consultar um médico antes de aumentarem o consumo de líquidos.

- Os idosos devem ser incentivados a beber pelo menos mais um litro de água por dia para além da que bebem normalmente. Eles vão rejeitar mas deve-se insistir.

- Procurar manter-se dentro de casa ou em locais frescos.

- Em casa, durante o dia, abrir as janelas e manter as persianas fechadas, de modo a permitir a circulação de ar.

- Durante a noite, abrir bem as janelas para que o ar circule e a casa arrefeça.

- Evitar sair à rua nas horas de maior calor, e quando se sai proteger-se usando um chapéu ou um lenço.

- Vestir roupas leves de algodão e de cores claras. As cores escuras absorvem maior quantidade de calor.

- Evitar usar vestuário com fibras sintéticas ou lã. Provocam transpiração, podendo levar à desidratação.

- Evitar fazer exercício físico ou outras actividades que exijam muito esforço.

- Evitar estar de pé durante muito tempo, especialmente em filas e ao sol.

- Um pequeno duche de água tépida arrefece o corpo rapidamente aumentando o conforto. Se o corpo estiver muito quente evitar tomar banho com água muito fria.

Claro que na praia os cuidados se redobram, devendo-se fazê-lo apenas nas primeiras horas da manhã (até às 11 horas) ou ao fim da tarde (depois das 17h), manter-se à sombra, usar chapéu, óculos escuros e protector solar.

E agora é caso para perguntar: o Verão será assim tão agradável?

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